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Pedro Neves

1001 MANEIRAS DE VOTAR A FAVOR DE TOURADAS EM DIAS DE ELEIÇÕES DE FORMA CEVERA

Pedro Neves

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Foi há um ano que Assembleia Legislativa dos Açores criou a Comissão Eventual para a Reforma da Autonomia, mais conhecida como CEVERA.

Foi a semana passada que o Parlamento dos Açores viabilizou a realização de touradas em dias de eleições.

O que é que uma coisa tem a ver com a outra, perguntam os ouvintes? Tudo, mas vamos por partes.

A CEVERA, além de não ter cumprido o seu propósito como comissão, serve para verificação da participação político-eleitoral,do sistema de governo, das relações intrapoderes, nos âmbitos das organizações política e territorial, bem como ainda do aperfeiçoamento de competências e consolidação do Adquirido Autonómico.

A Comissão tinha como objeto: “O levantamento, diagnóstico, sistematização e consensualização, dum conjunto de medidas jurídico-normativas e político-institucionais, designadamente nos âmbitos da organização política/sistema de governo; do sistema eleitoral e da participação cívica e política; da organização territorial e das relações intrapoderes e na consolidação e reforço do Adquirido Autonómico. E a apresentação de uma proposta a esta Assembleia Legislativa que, na sequência do estipulado na alínea anterior, identifique as principais matérias e normas que devam ser objeto de intervenção política.”

Simplificando, servia para arranjar mecanismos e ferramentas de forma a baixar a percentagem de abstenção nas eleições seguintes.

É sem dúvida algo eloquente e audaz, que com inteligência logo se verifica que o problema está e sempre esteve nos políticos que querem que continue a existir um fosso entre a transparência e a ambiguidade. Um pessimismo agudo assolou-me de imediato o ano passado, sabendo eu que nada ia ser feito para combater a abstenção, e devido à carolice da dita comissão, ainda podiam era fazer pior.E fizeram, a semana passada. E qual foi a ferramenta para aproximar os eleitores às urnas?

Será que usaram mecanismos usados pela Europa fora, onde deixou de existir actividades lúdicas importantes no mesmo dia das eleições?

Não, ao invés aprovaram a realização de touradas em dias de eleições.Isso mesmo,o parlamento açoriano transbordou de sensibilidade. Conseguiram, antes da entrega do relatório final da CEVERA, ficar pior do que antes da criação de uma Comissão para diagnosticar o problema.

E que belo diagnóstico foi apresentado.

Já sobre a apresentação do relatório final da CEVERA que deveria ter sido apresentado a semana passada por ter feito já um ano, acharam por bem fazer um projecto de resolução para atrasar por mais um ano a dita apresentação.

Mas será que os deputados que fizeram esta jogada de rins são assim tão arrogantes ao pensarem que podem fazer os açorianos de tolos, ficando assim impunes sobre as acções cometidas?

Não têm mesmo vergonha naquela cara!

Pedro Neves

NUM ESTACIONAMENTO PERTO DE SI

Pedro Neves

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Chegou o Verão. O Sol atinge o seu apogeu, a maior declinação em latitude e …lá está mais um solstício de Verão.O tempo está óptimo, sol, calor, o cheiro antecipado das férias, a entrega ao ócio e ao descanso!

Mas na verdade as férias ainda não estão à porta! Para quem tem de se deslocar a Ponta Delgada para trabalhar, esta afirmação é por demais evidente. A manhã corre lindamente até chegarmos ao centro da dita SmartCity, com trânsito fluido, o sol a brilhar, o céu está azul, a ilha em tons de verde é maravilhosa… é  tão bom viver em São Miguel!

Mas num ápice, algo muda e a realidade bate-nos como um estalo na cara. O trânsito começa a aumentar, os condutores ao nosso lado parece que se transformam em condutores de rallies descontrolados, nervosos, ansiosos…a fazerem ultrapassagens perigosas sem pisca apitando ao mínimo obstáculo encontrado. Apercebemo-nos que estamos a entrar na cidade de Ponta Delgada. O desafio para estacionarmos o carro para irmos trabalhar, no Verão, é uma tarefa hercúlea. Não era assim há dois anos atrás, afirmo com conhecimento de causa. Mas agora, não se encontra lugar facilmente.

Claro que existem alguns lugares a pagar, mas para todos os dias, de certo que a carteira não aguenta. Os estacionamentos estão entupidos de carros de empresas de aluguer e, obviamente por outros carros, desde turistas a moradores.

Cada pessoa tem um carro, e cada pessoa que trabalha em Ponta Delgada ou a visita precisa de um lugar para estacionar. Certíssimo!

Mas agora pergunto, e os meios de transporte públicos? Não podiam a maior parte destas pessoas, incluindo eu, vir de transportes públicos trabalhar? A resposta é sim, podiam se os houvesse!!Eu sei que eles existem…tal como os pirilampos. Sabemos que os há, mas é complicado encontra-los quando desejamos.

Não existe em São Miguel uma rede de transportes adaptada às necessidades dos habitantes e dos seus turistas. Mas porquê, pergunto eu? Não dá dinheiro? Não temos mais do que suficientes clientes? Não temos mais de suficientes reclamações e exigências para se criar uma rede eficiente e fiável?

Então o que falta? O que falta para darmos condições aos turistas para usufruírem da ilha e da cidade de Ponta Delgada de uma maneira relaxada e simples? O que falta para nos livrarmos da imensa carga para o ambiente que, é o excesso de viaturas e consequentemente o excesso de produção de CO2 que envenena o nosso ar de natureza. O que falta para desentupirmos as ruas e passeios de Ponta Delgada para todos conseguirem andar nos passeios, um direito dos peões, que é constantemente negado. Já experimentaram andar com um carrinho de bebé, nos passeios na cidade? E para as pessoas com mobilidade reduzida?

Apresentámos no nosso programa eleitoral em 2017, para o concelho de Ponta Delgada, mais de 27 medidas para solucionar o problema sobre a mobilidade e acessibilidade. Muitos outros partidos também o fizeram. Quase um ano depois e nenhuma medida foi implementada, mas o marasmo persiste e insiste.

A mobilidade universal dos cidadãos em meio urbano é um direito e um factor de combate às desigualdades. Para ser sustentável, este combate deve proporcionar níveis adequados de mobilidade no presente sem comprometer as condições de mobilidade das futuras gerações. Mas com a inacção aflitiva pela Câmara Municipal, não há geração que resista a uma mobilidade precária e obsoleta.E você, já arranjou lugar hoje?

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Pedro Neves

AÇORES NESTE PORTUGAL DOS PEQUENINOS

Pedro Neves

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No dia de Portugal, o Presidente da República, nas terras mais ultraperiféricas do território português, usou e abusou da palavra autonomia no seu discurso. Afirmou que a condição autonómica garante riqueza ao país, não tolerando qualquer tipo de discriminação no estatuto dos Açores neste Portugal dos pequeninos.

Marcelo Rebelo de Sousa, sagaz e astuto nas palavras e na sua repetição, usa a palavra autonomia para provocar um orgulho desmesurado neste povo que encheu o seu coração com frases feitas, sem receber ideias transitórias ou transversais no que fazer com este código estatutário , nem soluções de médio ou a longo prazo num território que necessita de medidas urgentes para que a discriminação não seja sentida como nós a sentimos.

Como podemos ter orgulho dessa palavra se nem somos capazes de ser auto-suficientes quanto mais autónomos? Não existe uma política de alternativa,uma política de alternância e descentralizada do poder governamental para com as pessoas. Continuamos a insistir no erro em que se aposta e se recheia uma indústria de cada vez, sem a diversificação de inúmeras alternativas que possam conceder uma balança comercial mais justa e adequada à nossa insularidade.

Quem já foi forçado a desistir de um sonho e fechou as portas com acidez na boca, cheio de dívidas, sem forma de subsistir e com uma linha de crédito como único apoio para pagar aquilo que já não têm, apenas porque não escolheu a monocultura que é a aposta deste governo?

Andamos nós a apregoar sobre a imagem da marca dos Açores como algo sustentável em torno do que é natural e ambiental, mas na realidade fechamos os apoios às ideias que nos daria credibilidade aos nossos produtos, que daria excelência no posicionamento do mercado, que dar-nos-ia uma almofada mais confortável quando uma indústria definhasse, como a indústria conserveira ou os serviços em redor da presença militar norte-americana?

As pessoas querem mudar, querem reinventar-se, mas a teimosia do governo em continuar a usar políticas obsoletas que ficam estagnadas no tempo, demonstra que não sabe acompanhar as vontades de uma sociedade sedenta pela mudança, vontades para sobreviver num mercado cada vez mais capitalista e globalista, num mercado que não faz prisioneiros.

Não damos oportunidade a quem exige uma reconversão na sua actividade, a quem tem uma visão mais alargada do que será a auto-suficiência da nossa terra e por consequência, a sua Autonomia, que abrange vários sectores económicos ( e não apenas um ), para não ficarmos à mercê do paternalismo do Presidente da República e das suas palavras eloquentes mas desprovidas de soluções no sustento económico dos açorianos, reféns de uma benevolência continental que, ou tarda chegar, ou quando chega é pedido em troca a perca de mais um pedaço da autonomia que tanto nos orgulha.

Nem os independentistas, aquando o discurso do Presidente, puderam estender a bandeira deste território sem ficarem retidos na esquadra como criminosos se tratassem.

O que temos meus caros, nem é soberania nem autonomia, é um faz de conta para um governo regional, que nos limita, brincar às regiões autónomas neste Portugal dos pequeninos.

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Pedro Neves

MOBILIDADE E MALABARISMO

Pedro Neves

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Nas autárquicas, muito se falou sobre a mobilidade, ou a falta dela. Desde redes de transportes pouco robustas, ou mesmo má escolha no seu horário e localização das paragens, passando pelo desejo premente da população em ter outras alternativas para os nossos aeroportos, não existe um política activa para que uma pessoa que não queira ter uma viatura, consiga movimentar-se livremente sem grandes impedimentos, tornando-se num tormento para o utilizador.

Mas hoje venho falar sobre mobilidade sim, mas pedonal. Para algumas pessoas poderão achar que será um apontamento pequeno e fútil, mas para quem está limitado na sua locomoção, este é um assunto sério que foi amplamente discutido por todos os partidos o ano passado, mas nenhuma acção acompanhou uma real concretização. Falo dos passeios e neste caso concreto, nos passeios da cidade onde passo grande parte do meu tempo, a cidade de Ponta Delgada.

Eu dei o nome de passeios para não ferir susceptibilidades, mas devido à largura dos mesmos em quase todas as ruas de Ponta Delgada, mais parecem traves olímpicas, onde fazemos malabarismo com os pés para não cair num fosso chamado asfalto onde passa carros a alta velocidade a 5 centímetros dos nossos braços. Para uma pessoa como eu que calça o 44 de sapato, tenho sempre um dilema de manhã: ou visto uma licra para parecer um ginasta na trave a que alguns chamam de passeio, ou se meto protecções de motociclo para conseguir fazer 200 metros sem uma escoriação na pele.

Felizmente, não tenho mobilidade reduzida, mas como faz uma pessoa de cadeiras de rodas ou um idoso em Ponta Delgada? Torna-se um automobilista usando perigosamente a estrada? De certeza que não é considerado um peão porque não lhe deram o espaço para ser. O concelho de Ponta Delgada prefere não lhe dar nome, da mesma forma que prefere não pensar no assunto sobre como estas pessoas vão do ponto A ao ponto B no coração da cidade. Um ano depois de inúmeras propostas e promessas para concretizar medidas correctivas à situação, o órgão camarário continua a não representar uma minoria cada vez mais alargada.Mas e se aumentarmos a parada e juntarmos as mães e os pais com carrinhos de bebé, que com o mesmo problema das pessoas com mobilidade reduzida, não podem ser utilizadores pedonais, como se fosse uma portagem e não um direito de qualquer cidadão. E para o malfadado turismo inclusivo, que tanto é apregoado? O coração da cidade continua interdita para quem não veste licra.

Continuemos a dar prioridade aos carros e esquecer que temos pernas. Eu, vou continuar a usar a minha licra de ginasta e a esconder as nódoas negras que faço aos retrovisores dos carros que amorosamente deliciam-se à minha passagem.

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