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Pedro Gomes

ESQUELETOS NOS ARMÁRIOS

Pedro Gomes

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O país foi surpreendido pela aprovação da alteração à lei de financiamento dos partidos, em resultado dum processo de discussão parlamentar que fica a dever tudo à transparência.

Todos os partidos na Assembleia da República, com excepção do CDS/PP e do PAN, aprovaram alterações à lei do financiamento dos partidos que permitem a dedução integral do IVA ou acabam com os limites ao financiamento privado aos partidos políticos.

A primeira grande crítica é quanto ao secretismo de todo o processo parlamentar. Todos os grupos parlamentares erraram ao não promoveram um debate normal sobre o financiamento partidário, tratando-o como a Assembleia da República deve tratar a feitura das leis.

Os partidos têm graves problemas financeiros, como é público. Então, debata-se o assunto e encontrem-se soluções, ao invés de se fazerem leis quase clandestinas, como se o financiamento da democracia fosse um assunto maldito.
Os partidos erraram uma segunda vez, quando não permitiram um debate claro sobre o modelo de financiamento dos partidos e das campanhas eleitorais. Queremos um modelo de financiamento exclusivamente público ou apenas privado? Aceitamos uma solução de financiamento misto?

Não concordo com o actual modelo em que o Estado financia as campanhas eleitorais e os partidos podem receber donativos privados, agora sem qualquer limite.

Os partidos voltaram a errar, uma terceira vez, quando tentam explicar o inexplicável. Com a sua conduta, transformaram um assunto polémico numa lei filha de pai incógnito.

Todos os partidos, com excepção dos que votaram contra a nova lei, deram novos argumentos àqueles que criticam a democracia partidária.

O Presidente da República também não esteve bem. Marcelo Rebelo de Sousa cultivou o estilo da decisão política rápida, do qual se afastou agora. O Presidente da República está visivelmente embaraçado com o financiamento dos partidos, dividido entre um veto político que satisfaz a opinião pública, mas que afronta uma larguíssima maioria parlamentar ou uma promulgação incómoda, que beliscará a sua popularidade.

O ano termina com sombras negras sobre os partidos políticos.

Pedro Gomes
29DEZ2017 – 105 FM

Pedro Gomes

EM NOME DA LIBERDADE

Pedro Gomes

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A obra de Alexis de Tocqueville (1805-1859) é essencial para a compreensão do fenómeno democrático e útil para percebermos os Estados Unidos da América e o seu sistema democrático.

Tocqueville soube contrapor ao determinismo político e ao fatalismo os ideais de liberdade, de autonomia individual e de livre escolha.

A América construi-se com base nestes fundamentos, rejeitando a colonização inglesa e aceitando de braços abertos homens e mulheres vindos de todo o mundo, à procura do sonho americano, forjado no mito da fronteira.
Qualquer um, independentemente das suas origens socias, pode aspirar a desempenhar os mais importantes cargos ou funções na vida empresarial ou na sociedade americana.

É pela liberdade que as sociedades democráticas se afirmam. Como escreveu Tocqueville, “quem procura na liberdade outra coisa diferente dela mesma, é porque está feito para servir“.

Convoco Tocquivelle para falar de Therese Patricia Okoumou.

O nome desta mulher de 44 anos, natural da República Democrática do Congo não dirá nada à maioria das pessoas.
No dia 4 de Julho, data em que os Estados Unidos da América celebram a independência, Therese subiu à Estátua da Liberdade em protesto contra a nova política da Administração Trump que permite a separação de famílias de imigrantes nas fronteiras norte-americanas.

Aos pés da icónica escultura, como quem implora liberdade, esta mulher fez ouvir a voz silenciosa do seu gesto, pedindo ao Presidente Donald Trump uma alteração das últimas medidas que tornam cada vez mais difícil a entrada de imigrantes nos Estados Unidos, tornando este país numa fortaleza.

A Estátua da Liberdade, símbolo de acolhimento americano a milhões de imigrantes aos longo dos anos – incluindo milhares de açorianos que escolheram a América para começarem uma nova vida – transformou-se na testemunha silenciosa dum gesto que obriga a uma reflexão sobre a dureza das novas políticas americanas de controlo da imigração, muito para além daquilo que seria necessário ou desejável.

A liberdade só é mesmo liberdade se permitir que todos sejamos iguais em direitos e dignidade.

Pedro Gomes
6JUL2018 – 105 FM

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Pedro Gomes

O VERÃO À SOLTA

Pedro Gomes

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O tempo de Verão está aí. Com ele, as conversas e as roupas tornam-se mais leves.

O mar chama por nós, mesmo para um mergulho ao final do dia. Quem vive em ilhas tem o privilégio de poder olhar o mar e decidir ir ao seu encontro. Muitas vezes, basta apenas atravessar a rua, em direcção ao azul infinito.

A imprensa, minguada de acontecimentos políticos, debate o Mundial de futebol, numa escalada de informação que terminará com o jogo final. Depois disso, surgem os temas leves – da moda às férias – para encher páginas ou minutos de informação, com uma outra actualidade que, no Inverno, não ocuparia a atenção dos editores.

O Verão não é apenas uma estação meteorológica: é um estado de alma.

O tempo de Verão deixa-nos mais descontraídos, mais soltos nas conversas e nos gestos. Os churrascos de Verão, os jantares de amigos, as festas que pontuam os calendários destes meses, fazem de nós seres mais sociáveis, menos contraídos.

As conversas prolongam-se nas noites cálidas, em que não corre uma aragem e as palavras resgatam o silêncio. Tornamo-nos como Xerazade: a história não tem fim, pois cada história sugere uma outra história que não nos cansamos de dizer e reinventar. Cada vez que contamos a história, ela torna-se diferente, com novos e sumptuosos detalhes que provocam comoção, um sorriso ou uma gargalhada aberta, daquelas que sabem a desejo.

O tempo anda mais depressa nas noites de Verão. Há uma sensação de velocidade que nos atinge. Tão depressa a noite está a começar, como já acabou, sem que o corpo dê por isso ou os sentidos se manifestem. As noites de Verão contrabalançam os relógios da vida, aqueles que registam as obrigações na agenda, os compromissos socias ou as rotinas que nos esmagam, nos transformam em robôs, fazendo-nos perder um pouco da nossa humanidade.

Nas cidades, já perdemos o hábito de olhar o céu, deslumbrados com as luzes artificiais que marcam os caminhos que podemos seguir.

Os dias límpidos de Verão convidam à descoberta do céu e da gramática das estrelas.

Faz bem à alma contar estrelas e sacudir a poeira dos dias até os garajaus anunciarem o regresso da alba, porque o “sol perguntou à lua quando havia amanhecer”.

Pedro Gomes
29JUN2018 – 105 FM

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Pedro Gomes

SEMPRE LIGADOS

Pedro Gomes

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Um dos sinais dos nossos tempos é que estamos sempre ligados. Uns aos outros. Aos amigos e a uma multidão de desconhecidos, em cujas publicações colocamos um like, como marca de intimidade.

Através do computador ou do smartphone, com ume-mail, um tweet ou uma publicação no Instagram, no Facebook ou no Watsapp, tornámo-nos criaturas cibernéticas. A pulsão de estarmos ligados é permanente: no trabalho ou em casa, no cinema ou na cama, as manifestações desta conectividade planetária são avassaladoras.

Como sucede com todas as dependências, também com esta queremos sempre mais tempo on-line, melhor cobertura da rede, mais tempo para publicarmos ou viajarmos pelas publicações de outros.

Esta nova forma de comunicação desenvolveu em nós uma outra forma de “inscrição digital” que construiu uma nova realidade social. As fronteiras das relações sociais sofreram uma profunda alteração, motivadas pelo desejo: de ver e de ser visto, comentado. O desejo de não estar sozinho, rompendo a enorme solidão social que as cidades tecem.

Todas as publicações nas redes socias ou os e-mails que recebemos parecem exigir de nós uma resposta: uma mensagem escrita, o envio duma imagem, a devolução dum comentário ou um simples like.

Estamos sempre mobilizados, para utilizar a expressão do filósofo italiano, MurizioFerraris, que analisa este fenómeno num ensaio intitulado “Mobilização Total”, no qual escreve que a “web é um instrumento de registo antes de ser um instrumento de comunicação”.

A extensão desta mobilização gera, também, novos fenómenos no mundo laboral, em que a permanente ligação dos empregados aos e-mails e telemóveis das entidades laborais exige uma disponibilidade permanente, que comprime a vida social e o direito ao descanso e repouso, levando ao burnout. Há ordenamentos jurídicos europeus em que já se discute um novo direito dos trabalhadores – o direito a estar desligado.

Curiosamente, esta comunicação moderna não se fica apenas pelos elementos gráficos ou pelas fotos, mas exigem palavras. A comunicação global fez renascer a comunicação escrita. São precisas palavras para escrever um comentário no Facebook ou um tweet, a que outros respondem com novos comentários.

A morte da escrita, trocada pela oralidade, que alguns filósofos anunciaram como sinal da modernidade, afinal não aconteceu.

Comunicamos muito, mas ainda falamos muito pouco.

Pedro Gomes
22JUN2018 – 105 FM

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