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Pedro Neves

PRIMEIRA CIRCULAR, SEGUNDA CIRCULAR E A CIRCUNVALAÇÃO DAS EMENTAS VEGETARIANAS

Pedro Neves

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Todos nós sabemos que após o chumbo da proposta legislativa que decretava a inclusão das ementas vegetarianas nas cantinas públicas nos Açores, a mesma fica apenas regulamentada pela boa vontade do governo dos Açores. E essa boa vontade tem regras de orientação da parte da secretaria regional para as cantinas, que são exercidas pela forma de circulares.

Sai a primeira circular cheia de altruísmo mas vazia de objectividade e sabedoria. Voam interpretações variadas em todas as escolas que, apesar de estarem cheias de criatividade para se ausentarem dessa responsabilidade, apenas são ultrapassadas pela falta de praticidade na inclusão de uma nova ementa.

Ficamos a descobrir que é mais fácil sair de uma fidelização anual de uma operadora de TV por cabo, do que entrar no rol dos escolhidos para uma ementa que deveria seria inclusiva. Só podias fazer uma escolha por ano, ou vegetariana ou não vegetariana. Se porventura alterasses a tua dieta a meio do ano lectivo, a escola não te acompanhava, porque na interpretação deles, as tuas escolhas de vida não são válidas se forem feitas em Dezembro ou Março, roçando mesmo a falta de respeito pelo utente para com o orçamento de cada ano lectivo.

Haja bom senso, então as pessoas não sabem que esta coisa dos orçamentos dá trabalho, que é uma heresia uma pessoa querer experimentar um punhado de vezes uma ementa vegetariana na escola? Nas cantinas públicas eles querem pessoas com pensamento feito, e que esse conservadorismo seja acompanhado pelo ano inteiro.

Obviamente que foi uma questão de tempo para sair uma denúncia na rádio com a intransigência de algumas cantinas, algumas que até pediam um atestado médico. Eu queria ser mosca no gabinete da secretaria regional da educação e cultura, porque no mesmo dia saiu a Segunda Circular para as escolas, desta vez mais fechada para que não haja vontades próprias em tentar limitar a benevolência do governo-rei. Daí saiu a marcação prévia que será definida pelas empresas que disponibilizam as refeições. Ora bem, isto é que foi uma circular com ordens claras e respostas fechadas. Todos nós sabemos que uma marcação prévia sem uma definição temporal de 24, 48 horas ou 6 meses é a melhor forma para clarificar todas as dúvidas que haviam na Primeira Circular.

E como não se interessam da mesma forma que se atropelam uns aos outros, verifica-se agora ementas vegetarianas nas escolas com apenas uma sopa e um salada de alface e tomate. Eu sei que para alguns devem achar que os vegetarianos vivem apenas da energia Prana e uma alfacinha, mas eu como vegetariano que sou, preciso de mais substância par aguentar no dia a dia.

Não faltará muito para sair agora uma Circunvalação, para dar voltas e voltas e ficarmos no mesmo lugar onde estamos com as ementas desnutridas que existem na maioria das escolas da região. Chovem denúncias para o meu email com o registo fotográfico de pais indignados com as refeições dadas aos seus filhos, sejam elas refeições definidas como normais ou as novas e malfadas refeições “saudáveis e inclusivas”. E vamos ser sinceros, um papo-seco sem nada ou uma sopa com uma cenoura a nadar em água não será os registos de culinária para inserirmos no instragram.

Para quando uma auditoria transparente e isenta feita por nutricionistas a estas empresas que confeccionam a comida dos nosso filhos por menos de dois euros? Eu tentei ser criativo e meti mãos à obra. Tentei confeccionar por menos de dois euros e sabem o que aconteceu? Claro que sabem, não ganhei nenhuma sabedoria com a experiência, fiquei foi cheio de fome.

Já está na altura do governo-rei mudar o seu discurso visionário com a sua máxima de “somos deuses benevolentes” e se diz que já está tudo assegurado, é melhor acreditarem. É porque já ninguém acredita nisso, nem as escolas, nem os pais, nem os estudantes e acho que nem o próprio governo já não se recomenda a si mesmo.

Pedro Neves

NUM ESTACIONAMENTO PERTO DE SI

Pedro Neves

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Chegou o Verão. O Sol atinge o seu apogeu, a maior declinação em latitude e …lá está mais um solstício de Verão.O tempo está óptimo, sol, calor, o cheiro antecipado das férias, a entrega ao ócio e ao descanso!

Mas na verdade as férias ainda não estão à porta! Para quem tem de se deslocar a Ponta Delgada para trabalhar, esta afirmação é por demais evidente. A manhã corre lindamente até chegarmos ao centro da dita SmartCity, com trânsito fluido, o sol a brilhar, o céu está azul, a ilha em tons de verde é maravilhosa… é  tão bom viver em São Miguel!

Mas num ápice, algo muda e a realidade bate-nos como um estalo na cara. O trânsito começa a aumentar, os condutores ao nosso lado parece que se transformam em condutores de rallies descontrolados, nervosos, ansiosos…a fazerem ultrapassagens perigosas sem pisca apitando ao mínimo obstáculo encontrado. Apercebemo-nos que estamos a entrar na cidade de Ponta Delgada. O desafio para estacionarmos o carro para irmos trabalhar, no Verão, é uma tarefa hercúlea. Não era assim há dois anos atrás, afirmo com conhecimento de causa. Mas agora, não se encontra lugar facilmente.

Claro que existem alguns lugares a pagar, mas para todos os dias, de certo que a carteira não aguenta. Os estacionamentos estão entupidos de carros de empresas de aluguer e, obviamente por outros carros, desde turistas a moradores.

Cada pessoa tem um carro, e cada pessoa que trabalha em Ponta Delgada ou a visita precisa de um lugar para estacionar. Certíssimo!

Mas agora pergunto, e os meios de transporte públicos? Não podiam a maior parte destas pessoas, incluindo eu, vir de transportes públicos trabalhar? A resposta é sim, podiam se os houvesse!!Eu sei que eles existem…tal como os pirilampos. Sabemos que os há, mas é complicado encontra-los quando desejamos.

Não existe em São Miguel uma rede de transportes adaptada às necessidades dos habitantes e dos seus turistas. Mas porquê, pergunto eu? Não dá dinheiro? Não temos mais do que suficientes clientes? Não temos mais de suficientes reclamações e exigências para se criar uma rede eficiente e fiável?

Então o que falta? O que falta para darmos condições aos turistas para usufruírem da ilha e da cidade de Ponta Delgada de uma maneira relaxada e simples? O que falta para nos livrarmos da imensa carga para o ambiente que, é o excesso de viaturas e consequentemente o excesso de produção de CO2 que envenena o nosso ar de natureza. O que falta para desentupirmos as ruas e passeios de Ponta Delgada para todos conseguirem andar nos passeios, um direito dos peões, que é constantemente negado. Já experimentaram andar com um carrinho de bebé, nos passeios na cidade? E para as pessoas com mobilidade reduzida?

Apresentámos no nosso programa eleitoral em 2017, para o concelho de Ponta Delgada, mais de 27 medidas para solucionar o problema sobre a mobilidade e acessibilidade. Muitos outros partidos também o fizeram. Quase um ano depois e nenhuma medida foi implementada, mas o marasmo persiste e insiste.

A mobilidade universal dos cidadãos em meio urbano é um direito e um factor de combate às desigualdades. Para ser sustentável, este combate deve proporcionar níveis adequados de mobilidade no presente sem comprometer as condições de mobilidade das futuras gerações. Mas com a inacção aflitiva pela Câmara Municipal, não há geração que resista a uma mobilidade precária e obsoleta.E você, já arranjou lugar hoje?

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Pedro Neves

AÇORES NESTE PORTUGAL DOS PEQUENINOS

Pedro Neves

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No dia de Portugal, o Presidente da República, nas terras mais ultraperiféricas do território português, usou e abusou da palavra autonomia no seu discurso. Afirmou que a condição autonómica garante riqueza ao país, não tolerando qualquer tipo de discriminação no estatuto dos Açores neste Portugal dos pequeninos.

Marcelo Rebelo de Sousa, sagaz e astuto nas palavras e na sua repetição, usa a palavra autonomia para provocar um orgulho desmesurado neste povo que encheu o seu coração com frases feitas, sem receber ideias transitórias ou transversais no que fazer com este código estatutário , nem soluções de médio ou a longo prazo num território que necessita de medidas urgentes para que a discriminação não seja sentida como nós a sentimos.

Como podemos ter orgulho dessa palavra se nem somos capazes de ser auto-suficientes quanto mais autónomos? Não existe uma política de alternativa,uma política de alternância e descentralizada do poder governamental para com as pessoas. Continuamos a insistir no erro em que se aposta e se recheia uma indústria de cada vez, sem a diversificação de inúmeras alternativas que possam conceder uma balança comercial mais justa e adequada à nossa insularidade.

Quem já foi forçado a desistir de um sonho e fechou as portas com acidez na boca, cheio de dívidas, sem forma de subsistir e com uma linha de crédito como único apoio para pagar aquilo que já não têm, apenas porque não escolheu a monocultura que é a aposta deste governo?

Andamos nós a apregoar sobre a imagem da marca dos Açores como algo sustentável em torno do que é natural e ambiental, mas na realidade fechamos os apoios às ideias que nos daria credibilidade aos nossos produtos, que daria excelência no posicionamento do mercado, que dar-nos-ia uma almofada mais confortável quando uma indústria definhasse, como a indústria conserveira ou os serviços em redor da presença militar norte-americana?

As pessoas querem mudar, querem reinventar-se, mas a teimosia do governo em continuar a usar políticas obsoletas que ficam estagnadas no tempo, demonstra que não sabe acompanhar as vontades de uma sociedade sedenta pela mudança, vontades para sobreviver num mercado cada vez mais capitalista e globalista, num mercado que não faz prisioneiros.

Não damos oportunidade a quem exige uma reconversão na sua actividade, a quem tem uma visão mais alargada do que será a auto-suficiência da nossa terra e por consequência, a sua Autonomia, que abrange vários sectores económicos ( e não apenas um ), para não ficarmos à mercê do paternalismo do Presidente da República e das suas palavras eloquentes mas desprovidas de soluções no sustento económico dos açorianos, reféns de uma benevolência continental que, ou tarda chegar, ou quando chega é pedido em troca a perca de mais um pedaço da autonomia que tanto nos orgulha.

Nem os independentistas, aquando o discurso do Presidente, puderam estender a bandeira deste território sem ficarem retidos na esquadra como criminosos se tratassem.

O que temos meus caros, nem é soberania nem autonomia, é um faz de conta para um governo regional, que nos limita, brincar às regiões autónomas neste Portugal dos pequeninos.

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Pedro Neves

MOBILIDADE E MALABARISMO

Pedro Neves

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Nas autárquicas, muito se falou sobre a mobilidade, ou a falta dela. Desde redes de transportes pouco robustas, ou mesmo má escolha no seu horário e localização das paragens, passando pelo desejo premente da população em ter outras alternativas para os nossos aeroportos, não existe um política activa para que uma pessoa que não queira ter uma viatura, consiga movimentar-se livremente sem grandes impedimentos, tornando-se num tormento para o utilizador.

Mas hoje venho falar sobre mobilidade sim, mas pedonal. Para algumas pessoas poderão achar que será um apontamento pequeno e fútil, mas para quem está limitado na sua locomoção, este é um assunto sério que foi amplamente discutido por todos os partidos o ano passado, mas nenhuma acção acompanhou uma real concretização. Falo dos passeios e neste caso concreto, nos passeios da cidade onde passo grande parte do meu tempo, a cidade de Ponta Delgada.

Eu dei o nome de passeios para não ferir susceptibilidades, mas devido à largura dos mesmos em quase todas as ruas de Ponta Delgada, mais parecem traves olímpicas, onde fazemos malabarismo com os pés para não cair num fosso chamado asfalto onde passa carros a alta velocidade a 5 centímetros dos nossos braços. Para uma pessoa como eu que calça o 44 de sapato, tenho sempre um dilema de manhã: ou visto uma licra para parecer um ginasta na trave a que alguns chamam de passeio, ou se meto protecções de motociclo para conseguir fazer 200 metros sem uma escoriação na pele.

Felizmente, não tenho mobilidade reduzida, mas como faz uma pessoa de cadeiras de rodas ou um idoso em Ponta Delgada? Torna-se um automobilista usando perigosamente a estrada? De certeza que não é considerado um peão porque não lhe deram o espaço para ser. O concelho de Ponta Delgada prefere não lhe dar nome, da mesma forma que prefere não pensar no assunto sobre como estas pessoas vão do ponto A ao ponto B no coração da cidade. Um ano depois de inúmeras propostas e promessas para concretizar medidas correctivas à situação, o órgão camarário continua a não representar uma minoria cada vez mais alargada.Mas e se aumentarmos a parada e juntarmos as mães e os pais com carrinhos de bebé, que com o mesmo problema das pessoas com mobilidade reduzida, não podem ser utilizadores pedonais, como se fosse uma portagem e não um direito de qualquer cidadão. E para o malfadado turismo inclusivo, que tanto é apregoado? O coração da cidade continua interdita para quem não veste licra.

Continuemos a dar prioridade aos carros e esquecer que temos pernas. Eu, vou continuar a usar a minha licra de ginasta e a esconder as nódoas negras que faço aos retrovisores dos carros que amorosamente deliciam-se à minha passagem.

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