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Pedro Gomes

AMARGOS DE BOCA

Pedro Gomes

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O Governo Regional anunciou que a SINAGA vai deixar de produzir açúcar, para se limitar à sua comercialização. A decisão do Governo é apenas a crónica da morte anunciada da açucareira regional.

Os problemas económicos e financeiros da SINAGA agravaram-se com a entrada da Região no seu capital social e com a sua gestão pública.

Em 2010, a Região tornou-se accionista maioritária da SINAGA, com o objectivo de quadriplicar a sua produção e de a privatizar em 2013.

Sete anos depois, o resultado está à vista: a produção diminuiu e a empresa está falida.

Ao longo dos anos de gestão pública, a SINAGA foi acumulando prejuízos, perdendo quota de mercado e de negócio.
A SINAGA sobreviveu com empréstimos da banca, avalizados pela Região, que totalizam 21.441.000,00€.

Estes avales representam dívida indirecta e responsabilidade para as finanças públicas regionais, caso a empresa seja incapaz de pagar os empréstimos avalizados.

O passivo da açucareira regional é de quase vinte e sete milhões de euros, que os contribuintes açorianos vão pagar, mais dia, menos dia.

A situação da SINAGA reflecte a estratégia que o Governo Regional tem vindo a adoptar para o sector público empresarial regional. Ou melhor, a falta duma estratégia clara e coerente para um sector que se tornou gigante nos últimos anos.

O sector público empresarial regional está cheio de empresas endividadas, com elevada dependência de financiamento público, com dificuldades de acesso ao crédito, sujeitas a um gestão política e não empresarial e com um passivo total superior a 1.500 milhões de euros.

O passivo das empresas do sector público empresarial regional representa mais de metade da riqueza total da Região.

O Governo Regional tem escolhido evitar o debate sobre o extenso sector público empresarial regional e as opções de privatização de algumas das empresas deste sector, devolvendo-as à iniciativa privada.

Mesmo no caso da SINAGA, faltou coragem ao Governo Regional para assumir uma evidência: a gestão pública arruinou a empresa, não restando outra alternativa senão a sua extinção e liquidação, com adopção de medidas de protecção dos seus trabalhadores.

As meias palavras, escondem a dureza da realidade. É uma ficção política dizer que a SINAGA vai permanecer de porta aberta, apenas para empacotar e comercializar açúcar.

À oposição faltou também coragem para assumir que o encerramento desta empresa é a única solução possível, responsabilizando politicamente o Governo Regional por este facto.

Há amargos de boca que não têm remédio.

Pedro Gomes
105 FM – 3NOV2017

Pedro Gomes

EM NOME DA LIBERDADE

Pedro Gomes

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A obra de Alexis de Tocqueville (1805-1859) é essencial para a compreensão do fenómeno democrático e útil para percebermos os Estados Unidos da América e o seu sistema democrático.

Tocqueville soube contrapor ao determinismo político e ao fatalismo os ideais de liberdade, de autonomia individual e de livre escolha.

A América construi-se com base nestes fundamentos, rejeitando a colonização inglesa e aceitando de braços abertos homens e mulheres vindos de todo o mundo, à procura do sonho americano, forjado no mito da fronteira.
Qualquer um, independentemente das suas origens socias, pode aspirar a desempenhar os mais importantes cargos ou funções na vida empresarial ou na sociedade americana.

É pela liberdade que as sociedades democráticas se afirmam. Como escreveu Tocqueville, “quem procura na liberdade outra coisa diferente dela mesma, é porque está feito para servir“.

Convoco Tocquivelle para falar de Therese Patricia Okoumou.

O nome desta mulher de 44 anos, natural da República Democrática do Congo não dirá nada à maioria das pessoas.
No dia 4 de Julho, data em que os Estados Unidos da América celebram a independência, Therese subiu à Estátua da Liberdade em protesto contra a nova política da Administração Trump que permite a separação de famílias de imigrantes nas fronteiras norte-americanas.

Aos pés da icónica escultura, como quem implora liberdade, esta mulher fez ouvir a voz silenciosa do seu gesto, pedindo ao Presidente Donald Trump uma alteração das últimas medidas que tornam cada vez mais difícil a entrada de imigrantes nos Estados Unidos, tornando este país numa fortaleza.

A Estátua da Liberdade, símbolo de acolhimento americano a milhões de imigrantes aos longo dos anos – incluindo milhares de açorianos que escolheram a América para começarem uma nova vida – transformou-se na testemunha silenciosa dum gesto que obriga a uma reflexão sobre a dureza das novas políticas americanas de controlo da imigração, muito para além daquilo que seria necessário ou desejável.

A liberdade só é mesmo liberdade se permitir que todos sejamos iguais em direitos e dignidade.

Pedro Gomes
6JUL2018 – 105 FM

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Pedro Gomes

O VERÃO À SOLTA

Pedro Gomes

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O tempo de Verão está aí. Com ele, as conversas e as roupas tornam-se mais leves.

O mar chama por nós, mesmo para um mergulho ao final do dia. Quem vive em ilhas tem o privilégio de poder olhar o mar e decidir ir ao seu encontro. Muitas vezes, basta apenas atravessar a rua, em direcção ao azul infinito.

A imprensa, minguada de acontecimentos políticos, debate o Mundial de futebol, numa escalada de informação que terminará com o jogo final. Depois disso, surgem os temas leves – da moda às férias – para encher páginas ou minutos de informação, com uma outra actualidade que, no Inverno, não ocuparia a atenção dos editores.

O Verão não é apenas uma estação meteorológica: é um estado de alma.

O tempo de Verão deixa-nos mais descontraídos, mais soltos nas conversas e nos gestos. Os churrascos de Verão, os jantares de amigos, as festas que pontuam os calendários destes meses, fazem de nós seres mais sociáveis, menos contraídos.

As conversas prolongam-se nas noites cálidas, em que não corre uma aragem e as palavras resgatam o silêncio. Tornamo-nos como Xerazade: a história não tem fim, pois cada história sugere uma outra história que não nos cansamos de dizer e reinventar. Cada vez que contamos a história, ela torna-se diferente, com novos e sumptuosos detalhes que provocam comoção, um sorriso ou uma gargalhada aberta, daquelas que sabem a desejo.

O tempo anda mais depressa nas noites de Verão. Há uma sensação de velocidade que nos atinge. Tão depressa a noite está a começar, como já acabou, sem que o corpo dê por isso ou os sentidos se manifestem. As noites de Verão contrabalançam os relógios da vida, aqueles que registam as obrigações na agenda, os compromissos socias ou as rotinas que nos esmagam, nos transformam em robôs, fazendo-nos perder um pouco da nossa humanidade.

Nas cidades, já perdemos o hábito de olhar o céu, deslumbrados com as luzes artificiais que marcam os caminhos que podemos seguir.

Os dias límpidos de Verão convidam à descoberta do céu e da gramática das estrelas.

Faz bem à alma contar estrelas e sacudir a poeira dos dias até os garajaus anunciarem o regresso da alba, porque o “sol perguntou à lua quando havia amanhecer”.

Pedro Gomes
29JUN2018 – 105 FM

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Pedro Gomes

SEMPRE LIGADOS

Pedro Gomes

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Um dos sinais dos nossos tempos é que estamos sempre ligados. Uns aos outros. Aos amigos e a uma multidão de desconhecidos, em cujas publicações colocamos um like, como marca de intimidade.

Através do computador ou do smartphone, com ume-mail, um tweet ou uma publicação no Instagram, no Facebook ou no Watsapp, tornámo-nos criaturas cibernéticas. A pulsão de estarmos ligados é permanente: no trabalho ou em casa, no cinema ou na cama, as manifestações desta conectividade planetária são avassaladoras.

Como sucede com todas as dependências, também com esta queremos sempre mais tempo on-line, melhor cobertura da rede, mais tempo para publicarmos ou viajarmos pelas publicações de outros.

Esta nova forma de comunicação desenvolveu em nós uma outra forma de “inscrição digital” que construiu uma nova realidade social. As fronteiras das relações sociais sofreram uma profunda alteração, motivadas pelo desejo: de ver e de ser visto, comentado. O desejo de não estar sozinho, rompendo a enorme solidão social que as cidades tecem.

Todas as publicações nas redes socias ou os e-mails que recebemos parecem exigir de nós uma resposta: uma mensagem escrita, o envio duma imagem, a devolução dum comentário ou um simples like.

Estamos sempre mobilizados, para utilizar a expressão do filósofo italiano, MurizioFerraris, que analisa este fenómeno num ensaio intitulado “Mobilização Total”, no qual escreve que a “web é um instrumento de registo antes de ser um instrumento de comunicação”.

A extensão desta mobilização gera, também, novos fenómenos no mundo laboral, em que a permanente ligação dos empregados aos e-mails e telemóveis das entidades laborais exige uma disponibilidade permanente, que comprime a vida social e o direito ao descanso e repouso, levando ao burnout. Há ordenamentos jurídicos europeus em que já se discute um novo direito dos trabalhadores – o direito a estar desligado.

Curiosamente, esta comunicação moderna não se fica apenas pelos elementos gráficos ou pelas fotos, mas exigem palavras. A comunicação global fez renascer a comunicação escrita. São precisas palavras para escrever um comentário no Facebook ou um tweet, a que outros respondem com novos comentários.

A morte da escrita, trocada pela oralidade, que alguns filósofos anunciaram como sinal da modernidade, afinal não aconteceu.

Comunicamos muito, mas ainda falamos muito pouco.

Pedro Gomes
22JUN2018 – 105 FM

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