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Pedro Neves

AÇORES NESTE PORTUGAL DOS PEQUENINOS

Pedro Neves

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No dia de Portugal, o Presidente da República, nas terras mais ultraperiféricas do território português, usou e abusou da palavra autonomia no seu discurso. Afirmou que a condição autonómica garante riqueza ao país, não tolerando qualquer tipo de discriminação no estatuto dos Açores neste Portugal dos pequeninos.

Marcelo Rebelo de Sousa, sagaz e astuto nas palavras e na sua repetição, usa a palavra autonomia para provocar um orgulho desmesurado neste povo que encheu o seu coração com frases feitas, sem receber ideias transitórias ou transversais no que fazer com este código estatutário , nem soluções de médio ou a longo prazo num território que necessita de medidas urgentes para que a discriminação não seja sentida como nós a sentimos.

Como podemos ter orgulho dessa palavra se nem somos capazes de ser auto-suficientes quanto mais autónomos? Não existe uma política de alternativa,uma política de alternância e descentralizada do poder governamental para com as pessoas. Continuamos a insistir no erro em que se aposta e se recheia uma indústria de cada vez, sem a diversificação de inúmeras alternativas que possam conceder uma balança comercial mais justa e adequada à nossa insularidade.

Quem já foi forçado a desistir de um sonho e fechou as portas com acidez na boca, cheio de dívidas, sem forma de subsistir e com uma linha de crédito como único apoio para pagar aquilo que já não têm, apenas porque não escolheu a monocultura que é a aposta deste governo?

Andamos nós a apregoar sobre a imagem da marca dos Açores como algo sustentável em torno do que é natural e ambiental, mas na realidade fechamos os apoios às ideias que nos daria credibilidade aos nossos produtos, que daria excelência no posicionamento do mercado, que dar-nos-ia uma almofada mais confortável quando uma indústria definhasse, como a indústria conserveira ou os serviços em redor da presença militar norte-americana?

As pessoas querem mudar, querem reinventar-se, mas a teimosia do governo em continuar a usar políticas obsoletas que ficam estagnadas no tempo, demonstra que não sabe acompanhar as vontades de uma sociedade sedenta pela mudança, vontades para sobreviver num mercado cada vez mais capitalista e globalista, num mercado que não faz prisioneiros.

Não damos oportunidade a quem exige uma reconversão na sua actividade, a quem tem uma visão mais alargada do que será a auto-suficiência da nossa terra e por consequência, a sua Autonomia, que abrange vários sectores económicos ( e não apenas um ), para não ficarmos à mercê do paternalismo do Presidente da República e das suas palavras eloquentes mas desprovidas de soluções no sustento económico dos açorianos, reféns de uma benevolência continental que, ou tarda chegar, ou quando chega é pedido em troca a perca de mais um pedaço da autonomia que tanto nos orgulha.

Nem os independentistas, aquando o discurso do Presidente, puderam estender a bandeira deste território sem ficarem retidos na esquadra como criminosos se tratassem.

O que temos meus caros, nem é soberania nem autonomia, é um faz de conta para um governo regional, que nos limita, brincar às regiões autónomas neste Portugal dos pequeninos.

Pedro Neves

NUM ESTACIONAMENTO PERTO DE SI

Pedro Neves

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Chegou o Verão. O Sol atinge o seu apogeu, a maior declinação em latitude e …lá está mais um solstício de Verão.O tempo está óptimo, sol, calor, o cheiro antecipado das férias, a entrega ao ócio e ao descanso!

Mas na verdade as férias ainda não estão à porta! Para quem tem de se deslocar a Ponta Delgada para trabalhar, esta afirmação é por demais evidente. A manhã corre lindamente até chegarmos ao centro da dita SmartCity, com trânsito fluido, o sol a brilhar, o céu está azul, a ilha em tons de verde é maravilhosa… é  tão bom viver em São Miguel!

Mas num ápice, algo muda e a realidade bate-nos como um estalo na cara. O trânsito começa a aumentar, os condutores ao nosso lado parece que se transformam em condutores de rallies descontrolados, nervosos, ansiosos…a fazerem ultrapassagens perigosas sem pisca apitando ao mínimo obstáculo encontrado. Apercebemo-nos que estamos a entrar na cidade de Ponta Delgada. O desafio para estacionarmos o carro para irmos trabalhar, no Verão, é uma tarefa hercúlea. Não era assim há dois anos atrás, afirmo com conhecimento de causa. Mas agora, não se encontra lugar facilmente.

Claro que existem alguns lugares a pagar, mas para todos os dias, de certo que a carteira não aguenta. Os estacionamentos estão entupidos de carros de empresas de aluguer e, obviamente por outros carros, desde turistas a moradores.

Cada pessoa tem um carro, e cada pessoa que trabalha em Ponta Delgada ou a visita precisa de um lugar para estacionar. Certíssimo!

Mas agora pergunto, e os meios de transporte públicos? Não podiam a maior parte destas pessoas, incluindo eu, vir de transportes públicos trabalhar? A resposta é sim, podiam se os houvesse!!Eu sei que eles existem…tal como os pirilampos. Sabemos que os há, mas é complicado encontra-los quando desejamos.

Não existe em São Miguel uma rede de transportes adaptada às necessidades dos habitantes e dos seus turistas. Mas porquê, pergunto eu? Não dá dinheiro? Não temos mais do que suficientes clientes? Não temos mais de suficientes reclamações e exigências para se criar uma rede eficiente e fiável?

Então o que falta? O que falta para darmos condições aos turistas para usufruírem da ilha e da cidade de Ponta Delgada de uma maneira relaxada e simples? O que falta para nos livrarmos da imensa carga para o ambiente que, é o excesso de viaturas e consequentemente o excesso de produção de CO2 que envenena o nosso ar de natureza. O que falta para desentupirmos as ruas e passeios de Ponta Delgada para todos conseguirem andar nos passeios, um direito dos peões, que é constantemente negado. Já experimentaram andar com um carrinho de bebé, nos passeios na cidade? E para as pessoas com mobilidade reduzida?

Apresentámos no nosso programa eleitoral em 2017, para o concelho de Ponta Delgada, mais de 27 medidas para solucionar o problema sobre a mobilidade e acessibilidade. Muitos outros partidos também o fizeram. Quase um ano depois e nenhuma medida foi implementada, mas o marasmo persiste e insiste.

A mobilidade universal dos cidadãos em meio urbano é um direito e um factor de combate às desigualdades. Para ser sustentável, este combate deve proporcionar níveis adequados de mobilidade no presente sem comprometer as condições de mobilidade das futuras gerações. Mas com a inacção aflitiva pela Câmara Municipal, não há geração que resista a uma mobilidade precária e obsoleta.E você, já arranjou lugar hoje?

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Pedro Neves

MOBILIDADE E MALABARISMO

Pedro Neves

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Nas autárquicas, muito se falou sobre a mobilidade, ou a falta dela. Desde redes de transportes pouco robustas, ou mesmo má escolha no seu horário e localização das paragens, passando pelo desejo premente da população em ter outras alternativas para os nossos aeroportos, não existe um política activa para que uma pessoa que não queira ter uma viatura, consiga movimentar-se livremente sem grandes impedimentos, tornando-se num tormento para o utilizador.

Mas hoje venho falar sobre mobilidade sim, mas pedonal. Para algumas pessoas poderão achar que será um apontamento pequeno e fútil, mas para quem está limitado na sua locomoção, este é um assunto sério que foi amplamente discutido por todos os partidos o ano passado, mas nenhuma acção acompanhou uma real concretização. Falo dos passeios e neste caso concreto, nos passeios da cidade onde passo grande parte do meu tempo, a cidade de Ponta Delgada.

Eu dei o nome de passeios para não ferir susceptibilidades, mas devido à largura dos mesmos em quase todas as ruas de Ponta Delgada, mais parecem traves olímpicas, onde fazemos malabarismo com os pés para não cair num fosso chamado asfalto onde passa carros a alta velocidade a 5 centímetros dos nossos braços. Para uma pessoa como eu que calça o 44 de sapato, tenho sempre um dilema de manhã: ou visto uma licra para parecer um ginasta na trave a que alguns chamam de passeio, ou se meto protecções de motociclo para conseguir fazer 200 metros sem uma escoriação na pele.

Felizmente, não tenho mobilidade reduzida, mas como faz uma pessoa de cadeiras de rodas ou um idoso em Ponta Delgada? Torna-se um automobilista usando perigosamente a estrada? De certeza que não é considerado um peão porque não lhe deram o espaço para ser. O concelho de Ponta Delgada prefere não lhe dar nome, da mesma forma que prefere não pensar no assunto sobre como estas pessoas vão do ponto A ao ponto B no coração da cidade. Um ano depois de inúmeras propostas e promessas para concretizar medidas correctivas à situação, o órgão camarário continua a não representar uma minoria cada vez mais alargada.Mas e se aumentarmos a parada e juntarmos as mães e os pais com carrinhos de bebé, que com o mesmo problema das pessoas com mobilidade reduzida, não podem ser utilizadores pedonais, como se fosse uma portagem e não um direito de qualquer cidadão. E para o malfadado turismo inclusivo, que tanto é apregoado? O coração da cidade continua interdita para quem não veste licra.

Continuemos a dar prioridade aos carros e esquecer que temos pernas. Eu, vou continuar a usar a minha licra de ginasta e a esconder as nódoas negras que faço aos retrovisores dos carros que amorosamente deliciam-se à minha passagem.

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Pedro Neves

EUTANÁSIA – A HORA CERTA PARA UMA DOR QUE NÃO É DIGNA

Pedro Neves

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A luta contra a morte será tão unicamente a continuação da luta, consagrada pelo tempo, de uma manifestação do valor superior da nossa cultura contemporânea – A valorização da vida humana.

Somos constantemente lembrados, seja politica, moral ou religiosamente, de que a vida é o que há de mais sagrado no mundo.A Declaração Universal dos Direitos do Homem, adoptada pela ONU após a Segunda Guerra Mundial, e que talvez seja o que há de mais próximo que temos de uma Constituição mundial, declara dogmaticamente que o direito à vida é o valor basilar da humanidade. E o direito à morte, não será também um justo desígnio da liberdade natural e individual de cada um de nós?

Podemos encarar a morte de três maneiras: – ou aceitá-la, negá-la ou combatê-la. Mas o nosso compromisso ideológico com a vida humana nunca permitirá que simplesmente aceitemos a morte como ela é – uma inevitabilidade. Enquanto a morte for motivada por alguma coisa, iremos estar sempre empenhados em superar as suas causas.

E com um desenvolvimento vertiginoso no campo da medicina, em apenas um século o salto na esperança de vida duplicou dos quarentas para oitenta anos. Mas essa duplicação adicional dada pelo avanço da tecnologia, não conseguiu compensar proporcionalmente a nossa qualidade de vida. Continuamos com um governo paternalista que insurge de forma opressiva sobre a nossa autonomia de decidir se preferimos uma vida que se valoriza pela dignidade em detrimento de quantidade.

O moribundo, na nossa constituição, além de um ser quase aniquilado, não tem qualquer valor social pela forma insultuosa que é tratado quando a sua própria vontade, tantas vezes reclamada, não é considerada.

E na perspectiva do historiador Philippe Ariès, em que já não haverá mais mortos prematuros, e que a morte chegará ao fim de uma longa vida por uma morte certa, diz o seguinte: – “E surge a alternativa: ou o prolongamento da vida nas condições indignas(…), ou então o direito reconhecido e regulamentado de pôr fim a este prolongamento num dado momento.”

E continua dizendo: “cada caso é resolvido pelo médico em função de quatro parâmetros: o respeito pela vida, que leva a prolonga-la indefinidamente, a humanidade que leva a abreviar o sofrimento, a consideração da utilidade social do indivíduo (jovem ou velho, célebre ou desconhecido, digno ou degradado), e o interesse científico do caso.”
A distanásia e ortotanásia não são soluções suficientes, no que diz respeito a uma escolha no âmbito da liberdade individual de cada um. Pois, em ambas, alguém escolhe pelo moribundo, que não ele, que não tem espaço na história da sua própria morte.

No campo da história e do processo da morte, tanto a eutanásia activa voluntária ou o suicídio assistido, permitem uma ritualização do fim, que é protagonizada na primeira pessoa. O moribundo deixa, desta forma, de desempenhar o papel ingrato e negativo, na história da sua própria existência, que é o de fingir que não sabe que vai morrer.

Na minha assumpção, a proposta para a eutanásia voluntária ou suicídio assistido fazem todo o sentido, pois devolvem um estatuto social e jurídico ao paciente irrecuperável, concedendo-lhe, no fim, o direito natural da escolha à própria morte perante a sua inevitabilidade.

No foro político, a líder do CDS, enquanto tenta categorizar um tema fracturante para uma categorização bacoca de uma guerra ilusória entre a esquerda e a direita, dá largos poderes apenas ao PAN, o único partido que inscreveu a discussão da eutanásia no programa eleitoral.

Já o PCP, querendo aplicar medidas de conforto num processo de morte nunca escolhido pelo doente, com a sua ideologia fixa do qual um indivíduo não poderá ter a sua liberdade consagrada como um direito adquirido, presume de forma bipolar que é um direito mas não uma opção. Mas o PCP, usando o argumento único do uso dos cuidados paliativos,esquece-se que a ciência não têm meios para aliviar todo o sofrimento e dor, muito menos a dignidade do individuo.

Para o PAN, o principal objectivo sempre centrou-se pela discussão sobre a eutanásia na esfera política, para que, de forma plural, fosse reclamado um direito intrínseco à natureza humana. O direito à escolha, não pela sociedade, mas sim pelo doente, na defesa da sua auto-estima e liberdade na escolha na Mors certa, para ter a seu lado uma equipa que o ajude a retirar de uma existência em finalização de forma mais familiar no ambiente frio e pálido que é o hospitalar.

O grande objectivo é conceber uma liberdade de escolha ao indivíduo, em condições extremas e irreparáveis, sobre si próprio e do seu destino, que até agora lhe é negado, de forma inconstitucional.

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